quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Quando você Quer, o Universo conspira em seu favor - Parte 1

Fala Galera,

 Mais uma vez eu começo um post dizendo que há muito tempo não escrevo. Realmente esse blog está largado às traças. Mas isso vai mudar a partir de hoje.

 A primeira mudança é que alterei o perfil do blog: "Tecnologia na Prática e Outras Viagens". Isso porque agora ele será pessoal e quero usá-lo para escrever não só sobre tecnologia, que é uma das minhas paixões, como também sobre outras viagens, como empreendedorismo, lifestyle company ou até mesmo  alguma idéia maluca que passe pela cabeça. Escrever é bom para organizar os pensamentos e vou fazer isso pelo menos uma vez por semana.

 Começando com essa filosofia, gostaria de expor uma pseudo teoria que sempre ouvi falar mas que constatei há dois meses, ao fazer uma retrospectiva da minha vida. É o título desse post "Quando você Quer, o Universo conspira em seu favor". Sempre tive vontade de escrever sobre isso e agora vou fazê-lo. Acho que ainda sou novo para servir de exemplo para qualquer pessoa, mas as vezes minha história pode servir como um empurrãozinho para quem está correndo atrás de seus sonhos. Na pior das hipóteses, faço do post meu divã =D

 Primeiramente queria explicar a razão do "Quer" estar escrito em maiúsculo. Sempre gostei muito de futebol e, como muitos brasileiros, sonhava em ser jogador. Jogava bola todo dia na escola e na praia de Santos, onde morava. Fiz escolinha e queria participar das peneiras da categoria de base. Contudo, nunca fui em uma seletiva, por medo de não passar. Sabia que havia candidatos muito melhores que eu. Essa atitude é o que eu chamo de "querer" com "q" minúsculo. É o querer que se sonha, mas que não se arrisca, não dá a cara a tapa, seja por medo, timidez ou qualquer outra razão desculpa que você quiser inventar para se convencer de que não atingiu seus objetivos e a culpa não foi sua.

Ainda nessa época eu morava em um bairro de Santos chamado Divisa, por ficar na fronteira entre essa cidade e São Vicente. Minha turma de bairro era humilde, tinha gente que morava no morro e não tinha muitas condições financeiras. Um caminho comum eram as drogas e/ou tráfico e muitos enverederam por ele. A maioria, infelizmente, não está mais entre nós hoje para confirmar essa história.

Por conta desse ambiente, por volta de 95 ou 96,  minha mãe comentou comigo sobre o Colégio Naval, um dos melhores colégios de segundo grau do Brasil, que prepara jovens para serem Oficiais da Marinha Brasileira. Além do ensino de excelência, ele paga para você estudar! Eu ainda não tinha desistido de jogar futebol, mas como comentei, eu não "Queria" de verdade. Sendo sempre o primeiro de todos as turmas dos fracos colégios públicos em que estudei, isso me dava a ilusão de que eu era bom em estudar e achei uma boa ter o Naval como plano B.

Foi então que prestei o concurso em 97. Aquela foi a primeira vez na vida que eu olhei uma prova de matemática e não sabia fazer nenhuma das 20 questões. Me recordo de chegar em casa e dizer: "Mãe, se essa prova estivesse escrita em grego, não faria a menor diferença para mim". O que acontece é que a prova de matemática do Colégio Naval é mais difícil do Brasil, em nível fundamental. Fiquei com uma mistura de sentimentos, indo da raiva até o descredito em mim mesmo. Afinal de contas, eu era o "picão" de todas as turmas que tinha passado, sem fazer grande esforço.

 Os sentimentos logo passaram e deram lugar a vontade de enfrentar o desafio de passar no concurso. Virou questão de honra. Em 98 passei a trabalhar de office boy e estudar por conta própria. Peguei a ementa e comecei pela matemática. Chegada a data do concurso, pimba, acertei 2 das 20 questões. Já sai da prova sabendo que tinha levado bomba. Na saída peguei 2 panfletos sobre cursos preparatórios.

No fim do mesmo ano fui ao Rio de Janeiro na casa de minha tia Solange para conhecer os cursos preparatórios da cidade. Todos aprovavam muito e, consequentemente, cobravam uma mensalidade significativa. A intenção da minha mãe era vender a loja de roupa de bebê que ela tinha para arcar com os custos. Para não perder viagem, prestei concurso para o Colégio Pedro II. Poderia estudar em um bom colégio e fazer o curso de tarde. Pelo menos dessa vez eu passei no concurso.

Mas como todo mundo sabe, sorte de pobre dura pouco...rs. A loja não ia bem das pernas e acabou falindo em agosto daquele ano. Peguei um dos panfletos que tinha recebido após o concurso: curso Major Romão. Entrei em contato. Na época custava R$100, acho que equivaleria hoje a uns R$ 400. Estava então formalizado o plano: minha mãe daria a loja falida com seu estoque para meu padrasto, que eu considerava meu pai e ,em troca, pagaria meu curso e  moraria com ele. Uma amiga tinha convidado minha mãe para cozinhar em um restaurante em Porto Seguro e assim ela seguiu viagem.

 Iniciado 99, passei a estudar no curso do Major Romão. Segunda a sexta, das 19 às 22:30. Tive que correr atrás do tempo perdido no ensino público e me alfabetizar de verdade em apenas um ano. Me lembro dos amigos dizendo que eu tinha sumido. Mas... o fato é que meu pai era enrolado (me perdôe, pai, por dizer isso após você ter falecido mas, esteja onde estiver, você sabe que é verdade...rs). Devia Deus e o mundo e, como já tinha acontecido em outras situações, pagou somente o primeiro mês de curso.

 No terceiro mês eu estava constrangido com a situação da inadimplência e fui conversar com o Major Romão. Falei que conhecia meu pai, sabia que ele ia enrolar e não ia pagar. E pela primeira vez eu conheci o primeiro teorema da conspiração do Universo: "Quando vc Quer e não tem condições, alguém, geralmente alguém não muito próximo, vai te ajudar". Até hoje me emociono quando lembro o que ele disse, com o jeito militar sério dele: "Renzo, assista às aulas, não saia do curso. Depois a gente dá um jeito nisso". O Romão era um cara de muito caráter e honestidade. Tinha o sonho de construir um curso na baixada santista e passar a mulecada nos colégios militares. "Sorte" a minha. Depois de minha mãe, acho que ele é a pessoa com a qual eu tenho umas das maiores dívidas de gratidão da minha vida. Aliás, pensando bem, tem tanta gente que me estendeu a mão nessa caminhada que não dá nem pra dizer quem foi mais importante.

 Para resumir essa primeira parte da história, eu passei no concurso do Colégio Naval em 1999. Acertei 17 das 20 questões da temida prova de matemática, me classificando em 54º lugar em meio a 15 mil candidatos. Lá percebi que não era o gênio que o ensino público santista me fazia pensar que era e passei um período muito feliz da minha vida, fazendo grandes amigos e estudando. Para não deixar totalmente o sonho futebolístico de lado, fui titular durante os 3 anos da equipe do Colégio Naval. Fiz um golaço na prorrogação por morte súbita contra o Colégio Militar do Rio de Janeiro em 2000, de trivela, de fora da área, no ângulo. Fui campeão da NAE, competição de ensino médio entre as 3 forças militares em 2001 =D

 Pela primeira vez na vida "Quis" com "Q" maiúsculo e o universo conspirou em meu favor.

 Essa história é grande e esse post já está imenso. Então aguardem os próximos capítulos...


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