sexta-feira, 17 de julho de 2015

Bananistão: como criar uma nação de escravos




Quando se fala em escravos logo lembramos de filmes épicos sobre o antigo Egito. Pessoas obrigadas a trabalhar, sem quaisquer direitos. Mas afinal, existiam tarefas a serem cumpridas. E nada melhor do que ter indivíduos obrigados executá-las.

Mas a humanidade evoluiu, sendo o escravagismo abolido na maioria do mundo. Contudo, ainda existem tarefas, então como ter de volta o trabalho escravo para? Como construir uma nação fictícia, que dou o nome de Bananistão aqui, de pessoas obrigadas a trabalhar?

O primeiro passo é fornecer educação de má qualidade. Não apenas para ter massa de manobra, mas principalmente para a população não ter muito conhecimento nem interesse em matemática.

Assim, um assunto simples, como Progressão Geométrica, é decorado mas não compreendido. Baseado nele é feito o esquema de pirâmide. Ou mais próximo do dia-a-dia, os juros. O conceito é tão simples que uma fórmula é facilmente escrita, como na planilha que construí abaixo:





Nela eu considerei uma taxa de 8% ao mês. vc pode alterar o número de parcelas para conferir o valor final de um produto e quanto sairia de juros. E essa taxa está até muito conservadora comparada a aplicada no mercado de cartão de crédito.

Dessa forma, se você conseguir empurrar pessoas para uma dívida dessa elas irão  trabalhar apenas para se sustentarem e manter essa dívida. Contudo, como convencer alguém a entrar nessa loucura?

Então chegamos no segundo passo. Implante na cabeça das pessoas que elas precisam de tudo via publicidade massiva. Mais ainda, torne esses produtos descartáveis: celulares mais avançados, roupas da moda, jóias. Sempre tem algo novo e melhor. Depois criamos sistemas de financiamento a juros 0, sem precisar de aprovação.

Como terceiro passo, convencemos as pessoas que a vida não é caótica. Que imprevistos não acontecem, que empregos são seguros. Acreditando, elas entram no parcelamento, sem perceber que estão vendendo o bem mais precioso que existe: o tempo. Sim, elas estão negociando agora o tempo que precisrão trabalhar para pagar essa dívida no futuro.

Juntando esses ingredientes com a Lei de Murphy, fatalmente boa parte dessa população estará endividada, ou melhor dizendo, escravizada. Mas por que não se rebelam?

Aqui vem o quarto passo. Crie um código de honra sobre pagamento de dívidas. Ensine desde criança que é feio ficar devendo. Cria um slogan, de uma nome bacana, como "nome limpo".

A grande verdade é que o Bananistão quer esconder a verdade, deturpar a realidade. Para que serve um nome? Ele não serve para nada, além de ficar sujo. Ele serve para dar a falsa ilusão de que o cidadão é parte fraca do negócio, quando não é.

Até que uma instituição financeira libere o recurso, ela possui todos os poderes. Após liberar, o devedor é que dita as regras. Sabendo de tudo isso, como se livrar da escravidão?

A primeira e melhor forma é simples: não tenha cartão de crédito, não faça financiamento. Assim vc só compra o que puder, só com o trabalho que já foi feito, e não vendendo tempo de trabalho futuro. Um outro bom efeito colateral é que você passa a ver o real valor das coisas. Agora um celular custa R$ 2.000 e não uma parcelinha de R$ 80.

A segunda maneira, pior, é se vc já entrou nessa. Nesse caso, haja como a parte forte da negociação. Não se limite ao que os ditos "especialistas" financeiros dizem, hackeie o sistema. Experimente não dar atenção as cobranças, a não ligar para seu nome sujo. Junte o dinheiro para pagar a dívida sem acrescentar nenhum juros. Deixe passar 4 anos sem pagar nada e experimente fazer uma proposta de pagamento sem juros, veja o que acontece. Acha que é difícil, então veja esse vídeo onde um devedor atua como parte forte e se divirta:





A verdade é que financiamento é negócio. Não é igual pedir  dinheiro emprestado a parente ou amigo, não tem honra nenhuma envolvida. O que um operador financeiro faz é gerenciar risco, cobrar juros e taxas já colocando na conta aqueles que não pagarão, mitigando essas perdas nas costas de quem vive no cabresto do sistema.

No fim, o princípio das duas soluções é a mesma, e todo mundo conhece desde criança. Só existem duas maneiras de não perder um jogo contra um jogador mais experiente:

  1. Não jogar
  2. Jogar, mas seguindo suas regras, não aos do oponente. Quem nunca roubou dinheiro no jogo banco imobiliário? ;)

Mas e aí, achou o Bananistão parecido com algum país? Será que você conhece algum escravo? Será que você tem solução ainda melhor? Deixe seus comentários ;)

Abs,
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